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A incidência do câncer cresce no Brasil, como em todo o mundo, num ritmo que acompanha o envelhecimento populacional decorrente do aumento da expectativa de vida. O aumento da doença é resultado das transformações globais das últimas décadas, que alteraram a situação de saúde dos povos devido à urbanização acelerada, novos modos de vida, novos padrões de consumo.
De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer, INCA, no Brasil, as estimativas para o ano de 2008 e válidas também para o ano de 2009, apontam que ocorrerão 466.730 casos novos de câncer. Os tipos mais incidentes, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma, serão os cânceres de próstata e de pulmão no sexo masculino e os cânceres de mama e de colo do útero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil da magnitude observada no mundo.
Em 2008, são esperados 231.860 casos novos para o sexo masculino e 234.870 para sexo feminino. Estima-se que o câncer de pele do tipo não melanoma (115 mil casos novos) será o mais incidente na população brasileira, seguido pelos tumores de próstata (49 mil), mama feminina (49 mil), pulmão (27 mil), cólon e reto (27 mil), estômago (22 mil) e colo do útero (19 mil).
Preservando a fertilidade feminina Uma das questões mais delicadas em relação ao tratamento de mulheres jovens com o diagnóstico de câncer é o comprometimento da fertilidade. “Dependendo do estágio do tumor, elas terão de ser submetidas à quimioterapia e/ou radioterapia, que podem, em muitos casos, afetar a capacidade reprodutiva desta paciente”, afirma o médico Prof° Dr. Joji Ueno, especialista em Reprodução Humana, diretor da Clínica Gera.
Muitas pacientes jovens que têm o câncer diagnosticado não abrem mão da maternidade, mesmo sabendo que há maior chance de reincidência do câncer no período de cinco anos, se engravidarem. “Por isso, o tratamento deve ser muito discutido com a paciente, o oncologista e o especialista em Reprodução Assistida”, defende o médico responsável pelo setor de vídeo-histeroscopia diagnóstica do Hospital Sírio Libanês (SP).
“Os efeitos esterilizantes dos tratamentos contra o câncer podem resultar tanto em perda da função uterina normal, como na destruição total ou parcial da reserva de óvulos no ovário”, explica Joji Ueno, diretor da Clínica Gera. Por isto, antes das sessões que quimioterapia e/ou radioterapia, as mulheres portadoras de câncer interessadas em engravidar podem recorrer à fertilização in vitro. As chances de gravidez com este procedimento fixam-se em torno de 30% a 40%.
Para a preservação da capacidade reprodutiva das pacientes com câncer, uma das alternativas é o congelamento dos óvulos, pois a infertilidade causada pelo tratamento da doença pode ser permanente. “O óvulo pode ser congelado por vários anos. Depois da cura do câncer, a fertilização será feita com o esperma do homem que será o pai”, diz o médico. A técnica, porém, ainda apresenta poucos resultados positivos no mundo. “As condições para gravidez com óvulos congelados, atualmente, atingem 20%”, afirma Joji Ueno.
Outra opção terapêutica é o congelamento de pré-embriões. “O congelamento de pré-embriões sempre gerou uma discussão social muito fervorosa, principalmente devido a questões éticas e religiosas. O embrião também pode se manter congelado por um tempo indefinido, mas muitas religiões consideram que a vida se inicia no momento da concepção. O embrião, portanto, é tratado como um ser vivo. Seu eventual descarte pode ser considerado uma conduta anti-ética”, explica Joji Ueno. Uma outra dificuldade do congelamento de pré-embriões é que, se a mulher quiser implantá-los, terá de pedir autorização ao pai, ou seja, ao parceiro que fecundou o óvulo.
Por fim, há também a possibilidade de fazer o congelamento de fragmentos do ovário, que posteriormente, podem ser transplantados novamente para a paciente ou submetidos a uma técnica laboratorial de amadurecimento in vitro. Ao se submeter à quimioterapia ou/e à radioterapia, os folículos dos ovários da paciente portadora de câncer serão destruídos e não se recomporão mais. “Por isso, o especialista em Reprodução Humana Assistida faz a retirada de uma parte superficial destes órgãos, antes da mulher se submeter a estes tratamentos. Esses fragmentos podem ser reimplantados mais tarde e a mulher passará a ovular normalmente de novo”, explica o médico. “Poderão se beneficiar do congelamento de fragmentos do ovário mulheres com câncer de mama, de colo de útero, e ainda, leucemia, linfoma e sarcomas”, afirma Joji Ueno.
Preservando a fertilidade masculina As neoplasias do trato urinário que interferem diretamente na fertilidade masculina são os cânceres de testículo, próstata, uretra, pênis, bexiga e vesículas seminais. “É importante informar a população masculina sobre as formas de prevenção e tratamento destas doenças. Seja pelos efeitos diretos que elas provocam na produção dos espermatozóides – como no caso do câncer de testículo – ou pelos danos relacionados com os tratamentos envolvendo a radioterapia e a quimioterapia”, afirma o especialista em Reprodução Humana.
Os avanços nos tratamentos contra o câncer, envolvendo cirurgias, radioterapia e quimioterapia, além das tecnologias para a preservação da fertilidade têm possibilitado à Medicina oferecer opções de preservação da fertilidade para os indivíduos com câncer que desejam ter filhos. “É importante que oncologistas e os especialistas em Reprodução Humana conheçam e informem a estes pacientes as opções disponíveis para a preservação da fertilidade destes pacientes”, afirma o médico.
As técnicas e estudos experimentais existentes para a preservação da fertilidade do paciente com câncer incluem: 1) A supressão gonadal hormonal; 2) A criopreservação do sêmen; 3) A criopreservação de parênquima testicular obtida por biópsia ou hemicastração e o subseqüente enxerto testicular,e; 4) O transplante de células germinativas.
A supressão gonadal com hormônios ou análogos hormonais é, ainda, considerada uma técnica experimental e não oferece resultados muito consistentes. Já a criopreservação de parênquima testicular e o subseqüente enxerto e o transplante de células germinativas, embora muito recentes, e, ainda consideradas técnicas experimentais, já oferecem perspectivas mais promissoras para a preservação da fertilidade não só de adultos, mas, especialmente de crianças e adolescentes acometidos pelo câncer.
“A criopreservação de sêmen é a técnica consagrada, utilizada há mais de 40 anos, para a preservação da fertilidade dos pacientes oncológicos”, afirma o médico. O método mais utilizado é o congelamento em vapor de nitrogênio líquido e o armazenamento em nitrogênio líquido. O sêmen é congelado gradualmente até -79ºC, sendo depois estocado no nitrogênio líquido a -196ºC. Cerca de 25-50% dos espermatozóides móveis tornam-se imóveis após o descongelamento. “Apesar disto, uma vez congelados, a vitalidade dos espermatozóides mantém-se constante, mesmo após longos períodos de congelamento”, explica o diretor da Clínica Gera.
A qualidade do sêmen antes da criopreservação parece ser o fator mais importante para determinar o potencial de sobrevida após o descongelamento, sendo as amostras com baixa qualidade inicial, como no caso do câncer de testículo, as mais crio-sensíveis. “Era necessário que existissem mais de 20 milhões de espermatozóides móveis após o descongelamento, para que as chances de gravidez fossem adequadas, ou seja, ao redor de 20% por tentativa, quando se utilizava a técnica de inseminação intra-uterina”, diz o médico. Com os avanços nas técnicas de reprodução assistida, especialmente a injeção intracitoplasmática do espermatozóide (ICSI), tais parâmetros tornaram-se obsoletos e resultados muito satisfatórios, ao redor de 40% de sucesso por tentativa, são obtidos utilizando-se amostras de sêmen com qualidade muito deprimida.
SERVIÇO: Clínica GERA Rua Peixoto de Gomide, 515 Conjuntos 11 e 12 São Paulo- SP Telefone: (11) 3266 7974 Homepage: www.clinicagera.com.br E-mail: atendimento@clinicagera.com.br Blog: http://conversadecasal.zip.net/
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